1999-2002
Conjunto Habitacional no Lameirinho (228 fogos) ,
Angra do Heroísmo, Portugal
 

Foi a observação e análise de soluções tipológicas correntes na Arquitectura Popular Terceirense que nos permitiu formular as propostas arquitectónicas que se consubstanciaram no conjunto de habitações a construir no âmbito deste projecto. Começamos pela definição tipológica de um módulo de dois pisos, de volumetria simples, e cobertura em duas águas, correspondente ao T2 que, por sucessivas aglutinações de um volume menor, de largura constante e um ou dois pisos, permitiu organizar as tipologias maiores (T3, T4 e T5). Usando a mesma regra compósita, com as adaptações necessárias, definimos a tipologia adaptada aos T1 que, ocupando cada um dos pisos, se organizam a partir de um acesso comum, o que possibilitou a obtenção de uma forma de habitação colectiva de imagem perfeitamente adaptada e similar às habitações individuais que constituirão a maioria. A simetria da fachada voltada à rua, dos módulos principais, conjuntamente com as dimensões e ritmos dos vãos, dota estes módulos de uma imagem forte, susceptível de uma fácil repetição ao longo das ruas, sem quebra de individualidade. A interposição dos módulos menores, assimétricos, de dimensão variável, dá às fachadas dos conjuntos uma imagem semelhante à que resultaria de uma construção não planeada, desenvolvida ao longo do natural processo de evolução no tempo, como resposta às necessidades e anseios dos seus moradores. Procurámos, assim, controlar o efeito massificador e de escala que, na maioria dos casos, resulta de construções executadas e programadas de uma só vez, comummente acompanhadas por sérias restrições económicas e temporais, inevitavelmente reflectidas na simplificação da imagem urbana obtida por repetição de elementos que raramente respeitam as escalas humanas dos locais em que se inserem.

 
 
 
 
 

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